Os desafios da sociedade em rede
Partindo de seu conceito semântico, a “rede” é um conjunto de nós interconectados, uma estrutura de organização que “integra dimensões da vida biológica, cognitiva e social”. (CAPRA, 2002) Socialmente, é uma antiga estrutura de organização, mas que nos últimos anos tem ganhado vida nova devido a formação de uma cultura global que envolve toda sociedade. Trata-se da “sociedade em rede”, confome dito por Castells. Segundo o autor, a internet tem influenciado diversos domínios da vida humana, contribuindo para uma nova organização social. A utilização do meio para interação e armazenamento de dados é a cada dia mais frequente na vida de milhões de usuários em todo o mundo, o que torna a rotina desses cada vez mais indissociável da rede. Isso porque ela potencializa as capacidades humanas de cognição, armazenamento e comunicação, e transforma-se em “extensão humana”, conforme dito por McLuhan.
Uma real organização social em rede protagonizada pela internet, no entanto, é restrita a grande parcela de grupos sociais por condições econômicas, sociais ou políticas, tendo em vista que tais fatores limitam o acesso ao computador. No continente africano por exemplo, a maioria da população é rural e desprovida de linhas de telefone que possam conectar-se à internet . A partir dessas constatações o advento da utilização da tecnologia na contrução de sociedade em rede tende a contribuir para o aumento no fosso cultural, político e econômico entre a sociedades conectadas (países desenvolvidos, emergente e elites de países subdesenvolvidos) e os excluídos digitalmente.
Outro desafio da expansão da organização social em rede,, seria o possível controle da infra-estrutura da rede ou do seu acesso por organizações. A partir do momento que o uso da rede e a organização do indivíduo no ciberespaço torna-se cada vez mais indissociável do cotidiano social, o controle da rede, de seu acesso e de sua vigilância levanta o embate da manutenção da liberdade e privacidade no ambiente online.
As principais vantagens da organização em redes são suas flexibilidade e adaptabilidade, características essenciais para se sobreviver e prosperar num ambiente em rápida mutação. A utilização crescente da estrutura e sua efetividade no uso atual é resultado da capacidade da rede em atender exigências fundamentais em uma sociedade globalizada. Castells elege três principais fatores de exigência de um mercado globalizado contemporâneo, que são eficientemente atendidas pelas estruturas em redes. Tratam-se da (1) exigência de flexibilidade administrativa na economia e globalização de capital, produção e comércio; (2) exigência da sociedade pelos valores de liberdade individual e comunicação aberta; e (3) avanços significativos na computação e nas telecomunicações possibilitados pela revolução microeletrônica. Por isso, segundo Manuel Castells, as organizações em redes tem apresentado melhor desempenho em relação à organizações institucionalmente verticalizadas, centralizadas e burocratizadas.